Resenha do Livro "Frankenstein, ou o Prometeu Moderno"
Livro: Frankenstein, ou o Prometeu Moderno
Quantidade de Páginas: 250
Editora: Zahar
Ano: 2017
Autor: Mary Shelley
Gênero: Terror/drama / Ficção/ romance
Nota Skoob: ✯✯✯
Esta edição da Zahar está linda, capa dura com inúmeros conteúdos que deixam a história muito mais rica. Com tradução, apresentação e notas do escritor Santiago Nazarian, o livro traz também a cronologia de vida e obra de Mary Shelley. E, nos anexos, a introdução da autora para a edição de 1831 e o prefácio do poeta inglês e seu marido Percy Bysshe Shelley para a primeira edição, publicada anonimamente em 1818.
A curiosidade de conhecer um dos maiores clássicos da história de terror, foi ter visto no Netflix o filme da história da vida de Mary Shelley, e como nasceu a ideia de escrever este livro. Podemos considerar esta obra uma ficção cientifica gótica, e não um terror como todos julgam, com uma base sobrenatural fantástica no romance. Nada daquilo que conhecemos em desenhos e filmes de Frankenstein é a verdade do livro, para começar, o monstro é só um monstro, seu criador é o verdadeiro Victor Frankenstein.
“O romance não incute uma lição de conduta, modos ou moralidade...fadiga os sentimentos sem interessar a compreensão; molesta gratuitamente o coração e apensa acrescenta uma sensação dolorosa...”
A obra é dividida em 3 partes. A primeira parte tem início com Robert Watson, um aventureiro, escrevendo cartas a sua irmã, relatando suas viagens pelo Polo Norte, neste momento a história é relatada por ele, em 1ª pessoa. Entre névoas e geadas, o navio resgata um homem quase morte boiando numa placa de gelo, Victor Frankenstein, que a partir daí inicia sua história com o relato de sua jornada e de como todo seu sofrimento, dor e angústia começaram.
Victor, um homem inteligente, muito interessado em descobrir a origem das coisas, apaixonado pelas ciências naturais, vai para Universidade de Ingolstadt estudar medicina. Depois de muitos anos de estudo, se isola da vida social e familiar e coloca em pratica o plano de construir um ser humano sem reprodução, mas com pedaços de pessoas já mortas.
“O ser humano perfeito deve sempre preservar uma mente calma e pacífica e nunca permitir que a paixão ou um desejo transitório perturbe sua tranquilidade. “
Victor coloca seu sonho acima de toda natureza, concluindo seu projeto, cria a vida de um ser grotesco, animalesco e medonho, que lhe causa instantaneamente terror e repulsa, sua atitude, fugir para longe do monstro.
Os anos se passam, Victor não mais tem notícias da criatura, neste momento parei e pensei… “ que loucura, será que ele imaginou que sua criação deixaria simplesmente de existir? “
A criatura parte para a floresta, e lá inicia um processo de autoconhecimento. Essa parte do livro foi a que eu mais gostei, você vê como até mesmo um monstro, mas com habilidades humanas pode se desenvolver baseada na observação do outro, e também o nascimento da vontade do monstro em interagir com seres da sua espécie. É fantástica esta parte do livro, faz sua imaginação interagir com as palavras e você quase se sente na floresta, agindo como telespectador ou sendo mais audaciosa, um diretor do seu filme.
A partir daí, o mostro vai em busca do seu criador, exigindo direitos de viver dignamente, e até comete atos de atrocidade, atos de monstro para chantagear Victor afim de conseguir o que deseja.
Não vou contar o final do livro, claaaro que não, mas há um grande sofrimento por parte de Victor, ao questionar seus atos passados e futuros, se ele aceita a chantagem ou não, se ele coloca em risco a vida das pessoas que ama para proteger um bem maior, a humanidade.
Um livro que flerta com o suspense e o terror psicológico, numa era romântica. E a história fica mais gostosa de ler quando temos em mãos uma edição trabalhada e cuidosamente pensada, como são os livros da Editora Zahar, dá maior prazer à leitura!
“ ...quão perigosa é a aquisição de conhecimento e quão mais feliz é o homem que crê que sua vila natal é o mundo, do que aquele que aspira tornar-se maior do que sua natureza permite."
Algumas observações importantes….
Uma curiosidade: O nome Frankenstein em si já possuía uma ligação histórica com a alquimia.
Sua tradução é “pedra dos Franks”, ou “pedra dos francos”.
Prometeu moderno – o mito vem da antiguidade grega, a esse titã, filho de Urano, foi dada a tarefa de criar os animais e que do barro inventou o homem, este é o traço de ligação com Victor, também chamado de Prometeu.



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